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Exclusivo: o vice-prefeito eleito de Campo Grande, Edil Albuquerque concede entrevista ao Capital News
3 nov de 2008

Com muita decisão e objetividade, o vice-prefeito eleito de Campo Grande, Edil Albuquerque concedeu entrevista ao Capital News em seu gabinete, na Câmara dos Vereadores. Com larga experiência no Legislativo, afinal, foram 12 anos como vereador na Capital, Edil troca de local a partir de 1º de janeiro de 2009, quando passa a ser o vice-prefeito de Campo Grande e garante que seu gabinete na prefeitura será “aberto à população”.

Mais que falar de planos e projetos, o vereador e atual presidente da Câmara falou de como sua experiência na administração pública e na vida pessoal podem ajudar no desenvolvimento de Campo Grande e como ele poderá utilizar seus conhecimentos em apoio ao prefeito reeleito Nelson Trad Filho.

Como vereador, afirma que um dos projetos que mais sentiu satisfação em realizar foi o do refinanciamento de dívidas, o Refis ou mais conhecido como ISS Azul, que pôde colocar mais de 120 mil pessoas quites e em dia com seus débitos junto à prefeitura.

Além disso, o vereador também destaca sua preferência pela área de finanças e seu largo conhecimento nas questões de comércio e indústria, destacando que Campo Grande, assim como o restante do Estado, tem que tirar da economia sua dependência do binômio boi-soja.

Confira a seguir a entrevista:

Capital News: Por que o senhor se sente preparado para administrar Campo Grande juntamente com o prefeito Nelson Trad?
Edil Albuquerque: A sociedade é que me preparou e não eu que me preparei. Eu por três vezes fui secretário da Prefeitura Municipal de Campo Grande nas secretarias de administração, finanças e chefe da casa civil. Eu participei da comissão de divisão do Estado, fui sub-chefe da Casa Civil, tenho três mandatos de vereador e sou presidente da Casa. E essa oportunidade são poucos políticos que têm de galgar postos colocado pela população de Campo Grande. Fiquei 12 anos no Legislativo e agora retorno ao Executivo.


Capital News: Há quanto tempo o senhor está na Câmara Municipal? Nesse período, qual o projeto do qual tem mais orgulho?
Edil Albuquerque: Há três mandatos e o projeto que mais me orgulha é o Refis, que beneficiou mais de 120 mil ações que havia. Com o Refis entrou R$ 60 milhões, deu dignidade à população que passava dificuldade, então hoje, com toda certeza é o Refis. Mas tenho vários em várias áreas. Na social, por exemplo, há cinco Parcerias Público-Privadas (PPPs): são cinco creches que foram feitas sem nenhum dispêndio do governo municipal, trocando áreas improdutivas e degradáveis. Áreas por exemplo que estavam ao lado de sua empresa, mas não tinham recuperação por parte do poder público e que agora se reintegram ao patrimônio público através da iniciativa privada e ao mesmo tempo, terreno que custava R$ 10, R$ 15 mil se fez uma creche de R$ 80, R$ 100 mil.
Na parte ecológica o asfalto ecológico em um bairro próximo ao Guaicurus e no decorrer no mandato a nota fiscal avulsa, uma série de projetos que já beneficiaram muita gente.


Capital News: E o projeto para transformar o albergue em um Pronto Socorro Infantil? No ano que vem o senhor sai do Legislativo. Terá como levar esse projeto adiante?
Edil Albuquerque: Eu acho que eu estando lá vai facilitar ainda mais, porque eu vou ser o grande interlocutor entre o Legislativo e o Executivo. Mas no caso específico do albergue, ele já tem que ser tomado imediatamente e quem faz a retomada é o Legislativo, que vai dar uma destinação, que já está sendo conversado com o Estado que é para atender as crianças.

Capital News: E quanto ao projeto de transformar a antiga rodoviária na UEMS?
Edil Albuquerque: Agora que o governo está restabelecendo o caixa para poder tirar esse projeto do papel. Porque o processo educacional municipal é feito num cone invertido. Na base desse cone estão as creches com 16 mil crianças de 0 a 5 anos que saem de lá alfabetizadas. Aí ela entra no Ensino Fundamental, que daí já passam a ser 37 mil estudantes com os primeiro e segundo lugar em Português e Matemática na Prova Brasil. Daí parte para o Ensino Médio, que é de competência do Estado que pode chegar a cerca de 40 mil estudantes. Ou seja, 40 mil pessoas que estudaram a vida inteira no poder público. Evidentemente que alguém desgarra aqui por quê? A Universidade Federal oferece mil vagas pra esse pessoal e o restante, vai pra onde? A Universidade Estadual oferece 70 vagas de pedagogia em Campo Grande. Daí esse pessoal migra para Uniderp, UCDB para você ver título direto protestado no jornal. E gera desagregação familiar porque é a pior coisa do mundo o pai falar pro filho que ele não vai ter mais condição de estudar porque não tem como pagar.

Capital News: Há alguma secretaria que o senhor prefira assumir no ano que vem?
Edil Albuquerque: Eu sou uma pessoa que tenho um relacionamento muito grande com a parte comercial e industrial. O meu foco, nos anos políticos, sempre foi em tratativa com o ramo empresarial. Inicialmente eu disse que fui Secretário de Administração e Chefe de Gabinete. Então, nessa pare de administração eu conheci como funcionava e engrenagem da prefeitura. E também fui Secretário de Finanças, mas o que me coroa muito é que fui bancário por 38 anos, hoje sou bancário aposentado e a minha familiaridade com as questões financeiras são grandes.


Capital News: De quais comissões na Casa o senhor já fez parte? Hoje faz parte de alguma? Ter participado dessas comissões o ajuda a ter mais base e experiência para administrar a Capital com Nelsinho?
Edil Albuquerque: Comissão de Indústria, Comércio, Pecuária e Turismo e Comissão de Orçamento e Finanças e também fui da Comissão de Constituição e Justiça. Então eu diria que a preparação se dá passo a passo, e eu tive isso. E o poder público te dá uma oportunidade muito grande diferentemente da iniciativa privada.

Capital News: O que o senhor achou da renovação no legislativo municipal e como o senhor pretende manter o relacionamento com a Casa de Leis no ano que vem?
Edil Albuquerque: A renovação se faz necessária, até porque 100% de unanimidade não é muito aceito. Evidentemente então que essa Câmara é uma Câmara diferente e que tem hoje 74% de aceitação. As pessoas que entraram aqui são pessoas que procuraram. Dos cinco que saíram, cinco não se candidataram e então ficaria 16. E quatro novos. Então você vê: não é uma renovação muito grande. Mas nós temos uma esperança muito grande que o trabalho continue e o Legislativo hoje mudou muito, aquele amadorismo de você fazer oposição por fazer oposição não existe mais. Hoje nós trabalhamos com resultado. Haja vista que com a Lei da Responsabilidade Fiscal (LRF) nós temos apenas 5% da receita líquida tributável, acabou aquela ânsia do Legislativo de confrontar com o Executivo em termos de dar gratuidade, em termos de dar certas coisas que hoje é de competência do Executivo. Então, nós estamos muito interessados no comércio, na indústria, porque eles geram um recurso que retorna para a Câmara de Vereadores 5% das partes tributáveis, ou seja, ISS, ICMS, IPTU, ITR, enfim.

Capital News: O senhor acredita em algum nome forte para substituí-lo na presidência da Câmara? Quem?
Edil Albuquerque: Com certeza os 21 eleitos são candidatos. É claro que se começa um processo de exclusão e um processo de compromisso. Os vereadores se movimentam, conversam e um deles vai assumir. O quesito experiência é muito forte, mas nós temos o quesito maior partido, partido do prefeito, então nós temos vários quesitos e cada um vai trabalhar sua individualidade. Ainda é muito cedo para se falar em um nome específico. Nós vamos entrar numa matéria muito interessante, que é o orçamento, que é o ápice do vereador, que o vereador vai lá e faz o compromisso e aloca no orçamento o seu projeto, prevendo no caso uma escola, uma creche e você vê no próximo ano sendo edificado, acontecendo a inauguração, então, é um momento muito forte no Legislativo e nós estamos focados mesmo no orçamento.

Capital News: Qual a sua expectativa para os próximos quatro anos da administração de Nelsinho Trad? Como pretende ajudar no desenvolvimento da Capital?
Edil Albuquerque: Eu pretendo ajudar na medida que me for delegado. Evidentemente que eu sou um vice-prefeito e sei do meu lugar, mas é claro que, por conta de todas essas pastas porque passei, acredito eu que acrescentarei muito para o prefeito. O prefeito deve dar suas limitações: Edil você vai até aqui, daqui pra frente sou eu. E pros próximos quatro anos com certeza pretendemos produzir cada vez mais. A população aprece nos quóruns públicos de uma maneira muito representativa e é claro que nós temos que dar o retorno de trabalho, das coisas pontuais que elas necessitam. A cada R$ 3 que arrecadamos, R$ 1 vai para a saúde, então, nós estamos de olho nessa migração do interior pra cá, as nossas escolas são de melhor qualidade, fomos premiados várias vezes, então assim, temos que fazer jus à confiança da população.

Capital News: Vereador, e com relação às escolas de tempo integral? Há uma tendência de que um dia 100% da educação em Campo Grande seja nesses moldes? E também há o problema da disparidade, já que a qualidade da educação nas escolas de tempo integral é muito diferente da escola comum.
Edil Albuquerque: Nós temos dois focos aí: primeiro temos nossas crianças, que são da ordem de 16 mil, que saem das creches, já estão acostumadas a ficar o dia inteiro na escola. E quando ela vai pro Ensino Fundamental, o que acontece? Meio-período. E a pessoa que trabalha como é que vai cuidar dessa criança? Esse é um dos problemas.
Segundo problema é que o índice de criminalidade nas duas regiões em que colocamos as escolas de tempo integral [nos bairros Tiradentes e Paulo Coelho Machado] caiu 70%. Agora, o custo é elevado? Sim! Por isso nós temos que produzir, trazer indústrias, gerar riquezas no nosso Estado, sair do binômio boi-soja, para que se tenha mais riqueza e desenvolvimento, retornando isso em forma de tributos, para aplicarmos especialmente nesses tipos de modalidade, que nós entendemos que é a saída. A gente começa de uma maneira empírica e não podemos abruptamente colocar esse modela na cidade inteira. Então, depois da experiência, nós mostraremos ao governo federal e ao estadual, que são grandes parceiros,que esse modelo é uma saída.


Capital News: Como um político há muito tempo no legislativo, o senhor acredita que agora, fazendo parte do executivo, muita coisa irá mudar no seu modo de administrar?
Edil Albuquerque: Não acredito que vai mudar e acho até que vai facilitar. Sou oriundo do Executivo, vim para o Legislativo, e estou voltando para o Executivo. Comecei no Executivo como membro da comissão de divisão do Estado e presidi a Secretaria de Desenvolvimento Humano, depois fui para a Educação e depois a de Obras, então eu tenho uma estrada muito longa no Executivo e o Legislativo foi conseqüência desse relacionamento. Evidentemente desses resultados que conseguimos implantar.

Capital News: Por que o senhor foi o escolhido para ser o vice-prefeito de Campo Grande?
Edil Albuquerque: Eu acredito que graças ao trabalho individual de todos os colegas vereadores. Eu fui “ungido” da Câmara e ao mesmo tempo pela própria população que por meio de pesquisa e grande parte da população clamou por essa saída, por quê? Devido a integração que teve, porque um dos fatores preponderantes para o sucesso do Nelsinho, um deles foi o Legislativo. Porque o Legislativo com 74% e o prefeito com 80% de aprovação indica que nós estamos caminhando juntos. Um relacionamento maduro e quem ganhou? A população. Para você ver, o Refis, que é de competência do Legislativo foi feito por aqui e ao mesmo tempo foi amparado lá e então o relacionamento é muito grande.

Capital News: Quais os compromissos que o senhor assume com a população de Campo Grande a partir de 1º de janeiro de 2009?
Edil Albuquerque: Meu compromisso é continuar trabalhando e vou ter um gabinete que vai ser aberto à população. Serei com toda certeza o interlocutor dos vereadores junto ao prefeito, então, vou continuar normalmente.

Capital News: Deixe um recado para os campo-grandenses.
Edil Albuquerque: Eu queria dizer o seguinte: Campo Grande vem acertando há muitos anos nas escolhas de seus prefeitos. A população também cresceu de 40% a 70% seu pagamento do IPTU, então a cidade está vendo a transformação que está acontecendo. Então a população comparece quando vê que a cidade está crescendo, que seu dinheiro está sendo valorizado. Não é por acaso que migra de 40% para 70% o pagamento do imposto. As pessoas estão vendo os resultados. E outra coisa: o governo federal é hoje um grande parceiro e isso porque Campo Grande paga suas contas em dia e tem uma economia estável. É por isso que vem dinheiro pra cá. Então nós somos vitoriosos por morarmos numa cidade alegre, bonita, que tem um futuro promissor aos nossos filhos.


Fonte: http://www.capitalnews.com.br/




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