Campo Grande-MS, 5 de setembro de 2010
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| Sociedade cobra resultado da ação política, destaca Edil Albuquerque | 19 fev de 2007 | | No terceiro mandato como vereador por Campo Grande, Edil Albuquerque, 57 anos, atinge o “ápice” como representante da Câmara Municipal, na visão dele, quando se tornou o nome de consenso para assumir em 1º de janeiro de 2007 a presidência da Mesa Diretora da Casa de Leis. Em entrevista exclusiva ao Midiamax, o vereador peemedebista destacou que hoje a sociedade cobra resultado da ação política. “A população não quer confusão, quer harmonia e resultado, quer comida, emprego, quer trabalhar”, destacou.
O aquidauanense Edil Albuquerque, que é bancário aposentado após 37 anos na profissão e bacharel em Ciências Físicas e Biológicas, aproveitou para destacar que aprova integralmente a adesão do governador eleito André Puccinelli ao governo de coalizão no segundo mandato do presidente Lula. “Nós temos certeza de que vai dar tudo certo. Por exemplo, o nosso Estado não tem uma representatividade política muito grande. O que tiver de emendas, o que tiver de recursos que possam ser transferidos para o nosso Estado é muito importante”, destacou.
Sobre a aquisição de um prédio próprio para a Câmara Municipal, Edil disse que a idéia de comprar a atual sede está amadurecendo. “Hoje [ontem] tive a oportunidade de conversar com o empresário proprietário do imóvel, ontem [anteontem] tive a oportunidade de estar com o prefeito Nelsinho. Esperamos que comece a amadurecer essa condição, o próprio Youssif [Domingos, atual presidente da Mesa e deputado estadual eleito] também está com a mesma idéia”, disse.
O parlamentar, que no começo dos anos 80 entrou na política partidária pelas mãos de Juvêncio César da Fonseca, classifica-se, dentro do PMDB, como do grupo de Nelsinho Trad e de André Puccinelli, prefeito de Campo Grande e governador eleito, respectivamente. O vereador, que cogitou se candidatar a deputado estadual, mas, a perspectiva de articulação do consenso em torno de si para presidir a Câmara, o fez desistir, comentou ainda na entrevista o que representou para ele o seu correligionário, o saudoso senador Ramez Tebet, falecido há quase um mês devido a complicações de um câncer hepático.
O senhor declarou que para um vereador chegar à presidência da Mesa Diretora é o ápice da carreira. Por estar ainda no terceiro mandato, o senhor pensa que atingiu o ápice rapidamente? Não acredito que tenha sido rapidamente, até porque eu tenho uma vida política. Tive oportunidade de trabalhar na própria divisão do Estado. Eu era bancário, fui convidado para me licenciar do banco, inclusive para separar uma Secretaria que nós desmembramos em Saúde, Educação e Desenvolvimento Social. Após isso, eu fui diretor de Administração da Secretaria de Educação, fui coordenador geral de vida escolar e rede física, que cuidava da parte física da Secretaria de Educação, foi quando começou meu relacionamento com política. Fui secretário do município por três vezes, de Finanças, Administração e secretário-chefe de gabinete do prefeito. Fui para o Estado, fui subchefe da Casa Civil, depois me candidatei a vereador, ganhei por três vezes. Então, quando eu falo que é o ápice, realmente coroa tudo isso, já que eu progredi pelas oportunidades. Eu tive as oportunidades, e evidentemente, elas redundam, se você trabalhar direitinho, no resultado que está aí. Nós fomos aclamados por 21 colegas vereadores para administrar uma casa legislativa que tem uma representatividade muito grande. Hoje, um vereador da Capital é praticamente um deputado distrital, então, ele vem numa performance de visibilidade muito grande. Quando eu digo que é o ápice, é o ápice para aquelas pessoas que progrediram passo a passo todas essas oportunidades.
Observando a sua trajetória, percebe-se uma certa versatilidade, pois já trabalhou no setor de saúde, finanças, educação e infra-estrutura. O senhor sente-se um privilegiado por ter trabalhado em tantos setores diferentes assim? Eu, com toda a certeza, me encontro preparado nesses quesitos públicos, hoje eu tenho uma facilidade para poder assimilar coisas, para dar continuidade ou às vezes opinar pela descontinuidade de alguma coisa. Nesse ponto, a gente não pode dizer que é o “bambambã” ou que você sabe... não é nada disso, é que eu tive muitas oportunidades, e agora com toda a certeza no comando do legislativo poderei coordenar, orientar o trabalho dos colegas, e harmonizar o trabalho do executivo com o legislativo. No legislativo e no executivo não cabe mais amadorismo, aquela briga, aquela condição de você obstruir algumas coisas do executivo pelo legislativo, ou vice-versa. Porque cabe uma união, um diálogo.
O senhor está falando de uma situação ideal na relação entre legislativo e executivo, esse diálogo é favorecido pela sua proximidade do prefeito Nelsinho Trad (PMDB)? Além da proximidade e da amizade, isso se deu, evidentemente, por nós termos convivido na Câmara, até pouco tempo atrás ele era vereador, colega, companheiro. Ele demonstrou uma condição muito boa de administrador, haja vista que o nosso prefeito tem uma aceitação muito boa na sociedade. E ele está substituindo um prefeito [André Puccinelli] que marcou Campo Grande, fez uma administração que, no aspecto de resultado, foi irretocável. O Nelsinho está dando uma continuidade muito boa, e para que aconteça isso você tem que estar em harmonia, é essa harmonia que a gente tem o objetivo de intermediar, entre o executivo e o legislativo, e com o Nelsinho não vai haver problema, e muito menos com a Casa, que é muito receptiva ao nome dele.
Uma das primeiras coisas que o senhor quer fazer ao assumir a Mesa Diretora é saber o funcionamento da Casa e “os números”. Fora da presidência isso não é possível? Eu trabalhei em dois pilares na campanha, no primeiro, eu me descolei da condição em que me colocava a imprensa e a própria sociedade de que eu seria o vice-prefeito. E o segundo pilar seria desconhecer o orçamento. Em se desconhecendo, você trabalha a representatividade de cada vereador. Se há a condição de trabalhar cada vereador, você tem praticamente a sociedade na mão. Eu trabalhei nesse sentido, e é por isso que eu estrategicamente nunca procurei saber quantos funcionários são, qual o valor da folha, o que tem de verba de custeio, quanto é o orçamento, não me preocupei. Vou me preocupar a partir do dia 1°, quando terei com toda sinceridade uma facilidade de administração. Eu diria que a Câmara de Vereadores deve ser o oitavo ou sexto orçamento local, na realidade são R$ 2 milhões, R$ 2,8 milhões/mês. É uma responsabilidade muito grande, que encaro com naturalidade. Eu me vejo preparado, até porque hoje eu tenho condições de me dedicar 24 horas para a política, porque meus três filhos estão formados e eu estou aposentado do banco. Estou aí para fazer política, para ajudar, para colaborar com o grupo que a gente tem, no caso o André, governador do PMDB, o Nelsinho, prefeito do PMDB, eu presidente da Casa, do PMDB, e torço para que o presidente do legislativo estadual seja também do PMDB.
A que o senhor atribui a atual ascensão do partido no Estado? O carro-chefe de tudo isso daí foi aquela tranqüilidade, aquela ascensão pública que teve o Ramez Tebet e na sua esteira foi o André que, por conseguinte, fez um trabalho muito bom, o Nelsinho, que pegou a Câmara com a LRF (Lei de Responsabilidade Fiscal)... O duro é que há 14 anos, quando eu fui secretário de Finanças, os recursos que eu repassava para a Câmara de Vereadores eram maiores que o que recebo hoje. A LRF praticamente definhou as casas legislativas, nós tivemos que nos moldar muito, e sobrou para o Nelsinho. Então, o Ramez, o André e o Nelsinho demonstraram uma capacidade administrativa muito grande e agora, queira ou não queira, na política, além de você ter um partido forte, você vai mais pela pessoa, pelo nome. Tive a oportunidade de ser o vereador mais votado, então, a gente segue para ter resultados na frente.
O governador Zeca do PT considerou a possibilidade de uma aliança do PT com o PMDB nas eleições de 2008. O prefeito Nelsinho Trad e o deputado federal Vander Loubet (PT) também já cogitaram. Como o senhor vê essa situação? Desde que haja resultado para a população, sem demagogia nenhuma, se houver resultado da união dos partidos não vejo problema. Por exemplo, você acha que o Brasil não atrasou pela falta de habilidade do [presidente Luiz Inácio] Lula [da Silva] em não propor a governabilidade, não poder ceder para outros partidos poderem colaborar? Ele quis governar só com o partido dele. Hoje, conforme eu lhe disse, não é só o partido, são as pessoas que se credenciam, que se sobrepõem do lado administrativo. Eu diria que o Zeca, o Nelsinho, o Vander estão no caminho certo, é o caminho da governabilidade mesmo, não cabe mais amadorismo. Claro, qual é o papel do legislador? É fiscalizar aquilo que está errado ou certo. E essa harmonia do legislativo em Campo Grande, que sempre cedeu... Por exemplo, eu fui um dos primeiros a ceder agora, nesse futuro mandato nosso, o meu vice-presidente é do PT, é o Alex do PT. Eu quero governabilidade, eu não quero subserviência.
O Alex do PT foi uma sugestão sua? Foi. Eu conversei com os três [Alex, Thais Helena e Cabo Almi] e disse que queria dar um visual para os colegas do PT, não importa quem fosse, eles se elegeriam entre eles, mas nós daríamos um visual, haja vista que eles perderiam a questão de ter o governo do Estado, e hoje a única arma deles seria brigar para ocupar espaço. Agora não, pelo contrário, vão ocupar espaço com críticas construtivas, com fiscalização, com requerimentos, com indicações, condizentes com aquilo que a população quer, ou seja, ação política. A população não quer confusão, quer harmonia e resultado, quer comida, emprego, quer trabalhar.
Pelo que disse, o senhor aprova a adesão do governador eleito André Puccinelli ao governo de coalizão no segundo mandato do presidente Lula? Integralmente, porque colhendo resultados... e nós temos certeza de que vai dar tudo certo. Por exemplo, o nosso Estado não tem uma representatividade política muito grande, é um ponto qualquer coisa do colégio eleitoral do País. O que tiver de emendas, o que tiver de recursos que possam ser transferidos para o nosso Estado é muito importante. Nós somos 25 milhões de cabeças de gado, então, os vazios urbanos, os latifúndios são muito grandes. Queremos que mude a concepção, claro, que a gente mescle, que tenha indústrias, que haja várias outras atividades somadas, evidentemente, com a pecuária, que é nosso carro-chefe.
Dada à posição hegemônica do PMDB no Estado a partir do próximo ano, ter o PT por perto não seria só uma moeda de negociação do governador eleito André com o governo do Lula? Não, eu diria que o vitorioso é generoso, se você tem todo esse espaço, você tem que saber dividir, até porque você é governador do Estado, não é governador de facções políticas, prefeito de uma Capital, não é prefeito de determinados grupos que lhe apoiaram, em absoluto. Evidentemente que você vai procurar aquele mais próximo, aquele que lhe inspira maior confiança e resultado, então o traz para a sua equipe. Mas, na verdade, o governador que governar para efeito de partido e desprezar a condição da população, e o prefeito que fizer isso estará na contramão da história. O governo federal enxergou que o caminho é esse.
Mudando de assunto, outra prioridade sua à frente da Mesa Diretora é a aquisição do prédio da Câmara, que é alugado. A sua proximidade com o prefeito, e o pertencimento ao mesmo partido, podem favorecer essa meta? Com certeza, hoje [ontem] tive a oportunidade de conversar com o empresário proprietário do imóvel, ontem [anteontem] tive a oportunidade de estar com o prefeito Nelsinho. Esperamos que comece a amadurecer essa condição, o próprio Youssif [Domingos, atual presidente da Mesa e deputado estadual eleito] também está com a mesma idéia. Nós entendemos que a Câmara se incorporou no patrimônio público do município. Aquele plenário é ocupado todos os dias pela própria sociedade, então a Casa legislativa tem que dar conforto, não cabe mais você não ter um local para receber um contribuinte. Na realidade, nem contribuinte somente, mas um cliente.
O senhor foi o nome de consenso para presidir a Mesa, mas, numa fase anterior, o vereador tucano Cristóvão Silveira também pretendia o cargo. O consenso em torno do seu nome gerou alguma rusga com o vereador Cristóvão? Em absoluto, quando fui votado por todos os 21 colegas, inclusive com o meu voto, eu fiz referência ao nome dele, da hombridade, da grandiosidade, da força que ele me deu, de me estimular, de dar condições. Nós, desde o início, pautamos a nossa campanha no sentido de que todos tivessem liberdade de agir, todos tinham oportunidade de ser candidato. Acontece que eu sou do PMDB, só de voto nós já tínhamos seis, um partido forte, essa proximidade com o PT já nos daria nove votos, então ficamos um grupo muito forte. Em tendo o André como governador, em tendo o prefeito do PMDB, ficou fácil de você querer. Então o que ocorreu foi o seguinte, contando do PMDB, o Celso [Ianaze] já foi secretário duas vezes, o [Carlos] Marun, o Youssif e o Marquinhos [Trad] são deputados estaduais eleitos, sobrou eu e o Pastor Sérgio. O Pastor Sérgio está começando agora, eu já sou estradeiro do PMDB há muito tempo. Conforme o doutor Ramez disse uma vez para o Juvêncio: “ó, vai lá na fila”. Lembra quando o Juvêncio saiu do PMDB e voltou. Eu soube aguardar.
O senhor citou durante a entrevista em mais de uma ocasião o senador Ramez. O que o saudoso senador representou na sua visão de mundo, em termos políticos? É no processo político que nós tínhamos um contato muito grande. Nós que conhecemos o trabalho do dr. Ramez, a inteligência, o seu orgulho de ser mato-grossense, todas as condições pelas quais o Ramez passou, enfim, não encontro no momento adjetivos para analisar uma pessoa que acima de tudo era de Mato Grosso do Sul. A respeitabilidade que ele tinha dentro do Congresso. Então, o Estado perdeu um representante muito forte, e a própria classe política perdeu uma pessoa que nos orientava, que sabia ouvir, calmo, tranqüilo, sereno. O Ramez é uma pessoa que de todos os políticos, se você quisesse você tinha uma orientação, uma mão amiga todos os dias.
Para finalizar, quais são as suas expectativas quanto ao governo de André Puccinelli? A expectativa é muito grande, Campo Grande praticamente emprestou uma pessoa gabaritada, uma pessoa que praticamente deu um tom diferente à cidade. O André opera muito no resultado final, aquilo que aparece, aquilo que dá visibilidade, aquilo de que a população necessita de imediato, o Juvêncio [quando prefeito] veio na condição de preparar a máquina internamente, e o André soube administrar externamente, dando toda essa condição. Diferentemente do que vai acontecer no governo do Estado, ele vai ter que operar também internamente. A votação em massa em cima do André vai ter um resultado muito bom. A população tem que esperar e ter calma, já que o Estado se encontra numa condição de endividamento muito elevado, se não me engano é o sexto do País.
Fonte: Fonte: www.midiamax.com - 15/12/06 - Alcindo Rocha
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